No quesito do ensino de Ciências, o Brasil está nas últimas posições, colocando-se em 63º lugar no ranking dos 72 blocos econômicos participantes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) de 2015, feito pela Organização e Cooperação para Desenvolvimento Econômico (OCDE). Além disso, 82% dos alunos brasileiros ficaram abaixo do nível dois, que é o mínimo necessário para se estar diante de um cidadão “crítico e informado”, segundo a OCDE. Frente a esse problema estrutural no ensino do país e com o intuito de promover e difundir metodologias exitosas de baixo custo e alto impacto, para o desenvolvimento de habilidades em ciências, acaba de ser inaugurado o Instituto Habilidade Científica; Inovação. Uma das metodologias apresentadas pela nova entidade, que funcionará em parceria com o Instituto Weizmann de Ciências de Israel, será a Learning Skills for Science (LSS), ou Aprendizado de Habilidades Científicas, implantada em 3 mil escolas secundárias do Reino Unido e utilizada na reestruturação do ensino em Singapura.
No Brasil, o LSS já é aplicado pelo Colégio Renascença de São Paulo. Trata-se de uma metodologia criada pelo Instituto Weizmann e que desenvolve seis aptidões consideradas essenciais para sobreviver As habilidades científicas são fundamentais para a sobrevivência no século XXI no século XXI, como a capacidade de resolução de problemas, do pensamento crítico e da criatividade. O LSS é composto de seis habilidades chaves: recuperação de informação, saber escutar e observar representação de dados, apresentação de conhecimentos, leitura e escrita
científica.
Em entrevista à Tribuna Judaica, o empresário e idealizador do Instituto Habilidade Científica & Inovação, Rubem Daniel Duek, que foi diretor voluntário do Colégio Renascença por oito anos, fala sobre como a nova entidade pretende preparar os docentes para que transmitam aos jovens as competências exigidas pela sociedade do século 21:
Tribuna Judaica: Por que um projeto na área de educação?
Rubem Daniel Duek: Porque acredito que só podemos melhorar a sociedade investindo em educação. De acordo com a Unesco, continuar aceitando que grande parte da população não receba formação científica e tecnológica de qualidade, agravará as desigualdades do país e significará seu atraso no mundo globalizado. Investir para
constituir uma população cientificamente preparada é criar as condições para receber de volta a cidadania e aumentar a produtividade, que melhoram a qualidade de vida de todo um povo.
TJ: Qual a missão do IHCI?
RDD: O mundo está em meio a uma revolução, onde o uso da tecnologia substituirá o trabalho processual com consequências profundas para o ser humano que estará no mercado de trabalho no século 21. Para adequar-se a essa mudança, é necessário transformar a educação desde os primeiros anos do ensino fundamental, e não somente a partir da universidade.
Na “sociedade do aprendizado” desse século, é essencial dirigir o foco do conhecimento para as novas formas de aprender, e também para como solucionar problemas e sintetizar novo conhecimento a partir do existente.
O IHCI surgiu com esta missão e, hoje, nós temos as ferramentas para colocá-la em prática.
TJ: E como o instituto irá funcionar?
RDD: Nossa visão de longo prazo é levar a metodologia proposta pelo IHCI para todo o Brasil. Acreditamos que a chave da mudança está na formação do professor e, para isso, estamos criando uma estrutura para capacitá-lo e apoiá-lo nessa jornada de transformação. Trabalharemos com pessoas experientes em LSS e queremos criar uma rede de prática onde docentes de todo o país possam aprimorar a sua atuação e compartilhar experiências de forma a melhorar suas aulas, tornando-as mais interessantes e eficazes. Por lidarmos com uma metodologia de baixo custo de utilização e altamente adaptável, acreditamos que poderemos atingir todas as camadas sociais. Nós também temos uma
parceria com o Cepema da USP, coordenado pela professora Marcela Fejes, e que tem o intuito de levar o LSS a escolas públicas da Baixada Santista. A entidade já realiza alguns projetos na área de Ciências, criando espaços experimentais para desenvolver habilidades, que estão totalmente alinhados com a proposta do IHCI.
TJ: Quais os próximos passos?
RDD: Queremos formar a primeira turma para capacitação de professores no início de 2018. Assim, estamos apresentando a metodologia às escolas interessadas em preparar seus alunos para o século 21 que, por sinal, já começou (e para o qual estamos atrasados!). Também temos levado a proposta a potenciais apoiadores do programa, já que é um projeto de grande alcance e que levará o nome de uma instituição israelense de ponta como o Instituto Weizmann a todo o Brasil, especialmente numa área como a educação, onde há muito por fazer. Temos que aproveitar essa ponte com o Instituto Weizmann e trazer ao país o que há de melhor para os nossos jovens.